A saúde digital é uma oportunidade para a melhoria dos cuidados de saúde, afirma o Prof. Doutor Fausto Pinto, presidente da World Heart Federation (WHF), no rescaldo da sua participação na sessão “Sessão Conjunta SPC/WHF – Saúde digital em doenças cardiovasculares: pronto para o horário nobre?”, onde esteve presente a representar a visão da WHF, na qualidade de moderador e palestrante.

A sessão foi espaço para reflexão das últimas “inovações e dos aspetos novos na área da saúde digital aplicada à Medicina cardiovascular”, assim como da partilha de alguns exemplos do que já se está a praticar em Portugal. “Olhámos também para o futuro e para algumas estratégias que nos podem ajudar a fazer aquilo que é translação da ciência para as políticas”, afirma o Prof. Doutor Fausto Pinto, explicando, que, a partir destes debates, organizam-se ideias para que “os decisores políticos tomem as decisões adequadas para implementar estratégias que permitam a utilização da Cardiologia digital para a população, quer na prevenção, quer no diagnóstico, quer no tratamento das doenças cardiovasculares”.

Na visão do Prof. Doutor Fausto Pinto, “o crescimento tecnológico tem-se registado de forma exponencial ao longo destes últimos anos”, no qual a Medicina tem estado fortemente envolvida. Neste sentido, a WHF preparou um documento dedicado à utilização da saúde digital em Cardiologia, contemplando um conjunto de recomendações que foram feitas especificamente para “melhorar a implementação da saúde digital em termos concretos e direcionado para os utilizadores das múltiplas técnicas e também na forma como podemos ser mais eficazes na implementação destas diferentes áreas que estão a ser tão importantes para termos uma melhor saúde cardiovascular em Portugal e a nível global”.

“É importante continuar a trabalhar no sentido de implementar estratégias, que permitam estabelecer aquilo que já sabemos”, mas também “apostar fortemente na investigação e no desenvolvimento de mais tecnologias e, acima de tudo, sermos capazes depois de as conseguir aplicar na prática clínica diária”, explica.

Atestando a importância destas ferramentas, o Prof. Doutor Fausto Pinto afirma que é preciso ter consciência do “impacto significativo” destas, uma vez que se consegue chegar a locais e populações mais remotas. “Tendo a tecnologia ao dispor podemos informar mais e melhor, aumentando desta forma a literacia em saúde”, aponta o cardiologista, explicando que assim “melhora-se a capacidade de os doentes perceberem os seus problemas de saúde”.

Na área médica, nomeadamente no diagnóstico e na terapêutica, as ferramentas digitais são uteis para o dia a dia e para o futuro da comunidade: “É uma área que se tem apostado fortemente, em que há inclusivamente hoje em dia objetivos concretos, nomeadamente no Programa Horizonte Europa, com áreas específicas para apoiar a chamada transformação digital, que é um dos grandes propósitos da nossa geração e que seguramente irá ter um impacto nas nossas vidas”.

A “Sessão Conjunta SPC/WHF – Saúde digital em doenças cardiovasculares: pronto para o horário nobre?” contou também com a moderação do Prof. Doutor Lino Gonçalves, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), o Prof. Doutor Martin Cowie, sobre a “Saúde digital: oportunidade para uma melhoria dos cuidados”, o Prof. Doutor Jasper Tromp, que dedicou a sua apresentação à “”Tecnologia em doenças cardiovasculares: da prevenção e monitorização à intervenção populacional”. Já ao Prof. Doutor Ricardo-Ladeiras Lopes coube abordar as “Perspetivas de país em saúde digital: exemplos de Portugal”, enquanto que o Prof. Doutor Fausto Pinto abordou ainda “O que precisa ser feito: incentivando melhores decisões dos governos”.