O Centro de Reabilitação Cardiovascular do Serviço de Cardiologia do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), um projeto que engloba também a Faculdade de Medicina de Lisboa (FMUL) e a Universidade de Lisboa, tornou-se agora o primeiro centro em Portugal, e um dos primeiros da Europa, a obter a certificação europeia para prevenção secundária e reabilitação cardiovascular da European Association of Preventive Cardiology (EAPC).
Este programa de certificação, que inclui as categorias de “Prevenção Secundária e Reabilitação Cardíaca”, “Tratamento e Prevenção do Risco Cardiovascular” e “Cardiologia Desportiva”, pretende “estabelecer standards para a prática da Cardiologia Preventiva na Europa, de uma forma mais uniforme, melhorando a qualidade dos cuidados em saúde cardiovascular”.
A explicação é dada à Just News por Ana Abreu, coordenadora do Programa de Reabilitação Cardiovascular e anterior responsável pela Secção de Prevenção Secundária e Reabilitação Cardiovascular da EAPC, associação científica que integra a Sociedade Europeia de Cardiologia.
Ana Abreu coordena igualmente um Mestrado em Reabilitação Cardiovascular na FMUL, de características inovadoras
De acordo com a cardiologista, “este reconhecimento é um passo importante numa área-chave para o doente cardíaco. Para a equipa, a certificação representa uma maior responsabilidade, já que somos atualmente considerados Centro de Excelência, por cumprirmos os critérios definidos, mas acreditamos que alguns podem ainda ser otimizados.”
A responsável considera que este reconhecimento poderá ser um incentivo para outros centros de Reabilitação Cardíaca (RC) nacionais se candidatarem à certificação. “A nível público, alguns dos que conheço melhor têm condições para serem aceites.”
Terá também impacto na relevância deste tipo de intervenção. “Apesar de existirem mais centros de RC que no passado recente, estes continuam a concentrar-se sobretudo nas grandes áreas urbanas, logo a acessibilidade não é a mais desejável”, realça.
E, face a esta realidade, a cardiologista defende assim que é preciso criar mais alguns centros, otimizando-se também a referenciação. “Ainda há quem desconheça a existência ou importância da reabilitação após um evento agudo cardiovascular, como o enfarte agudo do miocárdio, a cirurgia cardíaca ou a insuficiência cardíaca crónica após agudização. Além disso, a concentração dos centros nas grandes cidades pode ser uma barreira para os mais idosos e para quem viva numa região mais distante.”
A solução deverá assim passar, na sua perspetiva, pela aposta numa rede nacional de centros de RC, que permitam a referenciação automática a partir dos hospitais. “Desta forma, após um enfarte do miocárdio, o doente seria encaminhado de imediato para o centro mais próximo do seu local de residência, para que pudesse recuperar mais rapidamente.”

O processo de certificação poderá ser também “um caminho para a criação de uma rede nacional de referenciação em Prevenção e Reabilitação Cardíaca”, sublinha Ana Abreu.
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