O Serviço de Cardiologia do Hospital Garcia de Orta está, “a pouco e pouco”, a retomar a normalidade, procurando implementar estratégias que permitam reduzir “rapidamente” a lista de espera e fazer uma triagem dos doentes mais graves. Na visão do Prof. Doutor Hélder Pereira, o maior desafio para a especialidade, ao longo do último ano, foi o receio dos doentes de se dirigirem ao hospital.

“Houve uma drástica redução do número de doentes com síndromes coronários agudos que vieram ao hospital, nomeadamente, com enfarte agudo do miocárdio e, consequentemente, de angioplastia primária”, recorda, sublinhando que não é uma realidade exclusiva de Almada.

De acordo com os resultados de um survey mundial realizado pelo Stent Save a Life, em março e abril de 2020, existiu uma redução de 27% nas angioplastias primárias, e, nos últimos dois meses do ano, ainda era identificada uma “redução importante”, face ao período homólogo.

Nesta entrevista, o diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital Garcia de Orta fala ainda da articulação com os Cuidados de Saúde Primários, dos efeitos diretos e indiretos da COVID-19 nos doentes, e das consequências que ficarão para o futuro.