A Prof.ª Doutora Dulce Brito, do Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Norte (CHULN), marcou presença no What’s New in 2021 ESC Guidelines como comentadora da sessão “What´s new in HF with reduced EF: the new algorithm”. Em entrevista à My Cardiologia, a especialista assinalou alguns dos aspetos desta sessão, marcada pela palestra do Prof. Doutor Marco Metra.
Na sessão “What´s new in HF with reduced EF: the new algorithm”, o Prof. Doutor Marco Metra, um dos autores das “2021 ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of acute and chronic heart failure”, referiu as alterações introduzidas neste documento, fazendo notar que, quer os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), quer sacubitril/valsartan (ARNI), se posicionam como “first treatment” na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.
A Prof.ª Doutora Dulce Brito, na entrevista que concedeu à My Cardiologia, explica que “o ARNI mostrou ser superior a enalapril (IECA) no estudo PARADIGM-HF”, proporcionando “aos doentes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida uma sobrevivência mais longa, mais livre de hospitalizações, com menor incidência de morte súbita e melhor qualidade de vida, e por conseguinte, um melhor prognóstico”. Tendo em conta estes achados, a cardiologista questiona o porquê de “as mais recentes recomendações europeias aparentemente darem primazia aos IECA”, “aspeto no entanto mais óbvio nos algoritmos de intervenção terapêutica do que na redação do texto”.
“Os IECA e os ARNI são ambos recomendados como opção de tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida. Curiosamente, as próprias guidelines [europeias], embora enfatizem a utilização de IECA como ‘first therapy’, indicam depois claramente no texto que, nos casos em que há persistência de sintomas, deve mudar-se para ARNI.” Mas “porquê esperar que o doente agrave a sua situação para só então mudar para uma terapêutica com maior benefício” interroga. “As guidelines recomendam, contudo, a instituição da terapêutica inicial com ARNI em doentes que não estavam previamente medicados”, o que, no parecer da Prof.ª Doutora Dulce Brito, “parece uma recomendação paradoxal”.
A especialista defende, contudo, que “na verdade o importante é existirem atualmente quatro classes farmacológicas disponíveis para o tratamento fundamental do doente com insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida” e que as mesmas “sejam introduzidas o mais precocemente possível, desde que respeitadas as características de cada doente”.
“Penso que as últimas recomendações, quer da ESC, quer da Canadian Cardiovascular Society, quer do American College of Cardiology, nos falam das mesmas terapêuticas farmacológicas de forma idêntica, apenas utilizando estratégias de atuação ligeiramente diferentes”. Mas “o objetivo é comum: melhorar o prognóstico dos nossos doentes com insuficiência cardíaca com base na mais recente evidência científica”, concluiu a Prof.ª Doutora Dulce Brito.
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