O Dr. João Agostinho, cardiologista no Centro Hospitalar Lisboa Norte/Hospital de Santa Maria, foi um dos protagonistas da sessão “Recomendações da ESC para a IC 2021: Novas indicações terapêuticas para a deficiência de ferro”, promovida pela Vifor Pharma no Heart Team 2022. O cardiologista expôs as mais recentes alterações, introduzidas nas guidelines da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) relativamente à abordagem dos doentes com insuficiência cardíaca (IC) e deficiência de ferro, publicadas em 2021.
As guidelines de insuficiência cardíaca, publicadas pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) em 2016, fazem referência à necessidade de “rastrear o défice de ferro, numa primeira avaliação laboratorial, ou seja, no primeiro contacto médico”. O Dr. João Agostinho, cardiologista no Centro Hospitalar Lisboa Norte/Hospital de Santa Maria, lembra, contudo, que, “apesar de, em 2016, já haver evidência da utilização de carboximaltose férrica na correção do défice de ferro em doentes com insuficiência cardíaca (IC)”, esta informação “passou a constar de forma muito mais clara nas recomendações de 2021”.
Na perspetiva do cardiologista, o conteúdo das guidelines de 2021 recomenda o rastreio periódico de ferropenia, “independentemente de haver ou não uma confirmação prévia na primeira avaliação”. As guidelines de 2021 da ESC (para o tratamento da insuficiência cardíaca) sugerem, ainda, a monitorização dos níveis de ferro a cada seis meses ou anualmente.
Além desta recomendação, o documento publicado em 2021 explicitou “o cut-off de fração de ejeção (<45%) a partir do qual há indicação para iniciar tratamento com carboximaltose férrica”. Ensaios clínicos, que incluíram doentes com fração de ejeção reduzida, mostraram que a carboximaltose férrica confere benefícios aos doentes com IC, ao contribuir para “uma melhoria da capacidade para o exercício e da qualidade de vida”. Estes estudos revelaram, ainda, “uma tendência para redução de eventos com carboximaltose férrica, nomeadamente de internamentos”, ainda que “esta tendência não fosse estatisticamente significativa”.
Em 2021, os dados de um estudo, que incluiu doentes com IC aguda (de novo ou crónica descompensada) e fração de ejeção <50% (ligeiramente reduzida), demonstraram que “um doente internado por IC, que é medicado com carboximaltose férrica, tem benefícios na qualidade de vida, na tolerância ao exercício, mas também na redução de internamentos posteriores”. “A administração de carboximaltose férrica a doentes que saíram de uma descompensação e que estão internados é uma prática segura e eficaz na redução de eventos major e com impacto prognóstico, como os reinternamentos.”
O Dr. João Agostinho é da opinião que, “quando o doente com IC está internado”, devem ser feitos todos os esforços para “realizar um estudo etiológico”, procurando-se “otimizar, ao máximo, o tratamento destes doentes”. “Não devemos desperdiçar esta oportunidade”, reforçou, sublinhando que, “embora o internamento seja um fator de agravamento do prognóstico”, corresponde, contudo, “ao momento em que existe mais monitorização, mais acesso a fármacos, mais tempo com o doente para ensino terapêutico”.
“O internamento é um momento-chave que devemos aproveitar para otimizar o tratamento dos doentes com IC, minimizando as consequências futuras do internamento, através da administração de fármacos modificadores de prognóstico, nas doses máximas toleradas, nomeadamente a carboximaltose férrica. Esta é mais uma ‘arma’ de tratamento para os doentes com IC, que demonstrou reduzir os reinternamentos, no pós-alta, que é a fase de maior risco.”
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