Precisamos de promover a qualidade dos programas, de modo a conseguir os benefícios que podemos obter com os nossos doentes.” Para abordar a “Acreditação em Reabilitação Cardíaca pela EAPC; chegou a hora”, a Prof.ª Doutora Ana Abreu, do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, marcou presença na sessão sobre reabilitação cardíaca, no CPC2022. Em entrevista à My Cardiologia, a especialista destaca que tanto o número de centros como a sua qualidade são “insuficiente”.

A coordenadora do Programa de Reabilitação Cardiovascular no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte considera que o processo de acreditação da Associação Europeia de Cardiologia Preventiva permite “atingir homogeneidade e garantir indicações de qualidade nos programas”, refere. Neste sentido, o principal objetivo é trazer benefício para os doentes.

Contudo, existem vários desafios a enfrentar na acreditação de uma unidade hospitalar. O primeiro passo, partilha, é “disseminar a existência deste programa de acreditação europeu”, a nível nacional. Para esta etapa, “a Sociedade Portuguesa de Cardiologia pode ter um papel muito importante”, destaca.

As unidades hospitalares devem assumir alguns critérios mínimos para que o seu centro seja acreditado, mas devem salvaguardar também os critérios designados ótimos para a sua valorização. “Quando conseguimos uma acreditação do nosso centro, podemos ir aos órgãos de administração e dizer que faltam critérios para atingirmos o ótimo. Isto é uma forma de conseguirmos que nos apoiem no atingimento dos nossos objetivos.”

A acreditação europeia pressupõe também um pagamento económico, para o qual Portugal poderá não estar muitas vezes preparado. E, apesar de este pagamento da certificação ser renovado a cada três anos, “é importante as pessoas perceberem que esse pagamento vale a pena”, acrescenta, para comprovar às administrações hospitalares a importância de melhorar as características do programa.

Com base no mote da sessão “O futuro da reabilitação cardíaca é entusiasmante”, a especialista prevê que o número de doentes reabilitados aumente e que os programas de reabilitação cardíaca se alterem. Com a consciencialização de que o modelo híbrido funciona nestas áreas, surge a telereabilitação para que os doentes possam usufruir da sua terapêutica à distância.

“O mais importante é fazer reabilitação na forma que melhor se adequa ao doente. Não é o doente que se tem de adequar ao programa. É o programa que se deve adequar ao doente.” De acordo com esta premissa, a telereabilitação não será exclusiva para todos os doentes, mas apenas para aqueles que necessitem, quer pela distância, pela falta de tempo ou outros aspetos, enumera a especialista.

A sessão contou com a moderação da Dr.ª José Paulo Fontes, do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, e do Dr. Alexandre Antunes, do Centro Hospitalar de Leiria. A palestrar, a mesa-redonda era composta pelo Dr. Miguel Mendes, do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, e pela Dr.ª Tania Odello, do Ospedale Malcantonese, na Suíça.